Conteúdo editorial: Credencia Brasil
Capanema coloca R$ 2,15 milhões em projeto de iluminação LED — e o edital é muito mais complexo do que parece
Publicado em 08/10/2026 às 10:33 · Fonte dos dados da oportunidade: PNCP
Capanema (PR) abriu credenciamento de empresas de engenharia para executar projeto de eficiência energética de R$ 2,15 milhões, com substituição de 1.151 luminárias por LED. O edital exige experiência, equipe especializada e certificações e pode interessar a empresas de engenharia, energia e instalação.

Capanema coloca R$ 2,15 milhões em projeto de iluminação LED — e o edital é muito mais complexo do que parece
Um credenciamento aberto pelo Município de Capanema, no Paraná, chama atenção pelo tamanho do projeto e, principalmente, pelo modelo escolhido para contratar as empresas.
O Município abriu o Edital de Chamamento Público para Credenciamento nº 02/2026, destinado a empresas de engenharia especializadas em Serviços de Conservação de Energia (ESCO). O valor máximo associado à demanda inicial chega a R$ 2.150.218,93.
Mas existe um detalhe fundamental: não se trata simplesmente de uma licitação para vender 1.151 luminárias à Prefeitura.
A empresa que assumir a demanda poderá ter de atuar praticamente como uma integradora do projeto: desenvolver projetos, fornecer equipamentos, instalar, fazer medições, produzir documentação, acompanhar o projeto perante a COPEL, realizar treinamento, descarte, relatórios e comprovar os resultados obtidos.
E é justamente aí que está a oportunidade — e também o risco.
O que Capanema pretende fazer?
O projeto está relacionado ao Programa de Eficiência Energética (PEE) da COPEL e já foi selecionado na Chamada Pública PEE COPEL 009/2024.
O edital informa que o projeto possui:
- 3.352 luminárias analisadas;
- 1.151 luminárias previstas para substituição por LED de alta eficiência;
- pontuação oficial de 74,47 pontos;
- valor global do Termo de Cooperação Técnica de R$ 2.150.218,93;
- Unidade Consumidora nº 8845794.
Ou seja: existe um projeto energético previamente aprovado. A empresa que entrar agora não está começando do zero.
Ela deverá assumir a continuidade e execução daquilo que já foi estruturado.
Não é uma licitação comum
Essa talvez seja a parte mais importante para uma empresa interessada.
O Município optou pelo credenciamento, permitindo que diversas empresas que cumpram os requisitos sejam habilitadas.
Todos os interessados habilitados podem ser credenciados. Porém, isso não significa que todos receberão contratos imediatamente.
O edital estabelece uma classificação técnica de até 100 pontos para determinar a ordem de convocação.
Na prática, funciona mais ou menos assim:
empresa apresenta documentação → é habilitada → recebe pontuação → entra na fila → pode ser convocada → executa uma demanda → vai para o final da fila.
O credenciamento permanece aberto durante a vigência de 12 meses, permitindo a entrada de novos interessados.
Isso muda completamente a estratégia de participação.
E quem pode participar?
O edital não é direcionado apenas a uma empresa de instalação elétrica.
Podem participar pessoas jurídicas isoladamente ou em consórcio, desde que o objeto social e a habilitação profissional sejam compatíveis com engenharia, eficiência energética, conservação de energia ou atividades correlatas.
Mas as exigências técnicas são consideráveis.
Entre elas estão:
- registro da empresa no CREA ou conselho profissional competente;
- responsável técnico compatível;
- engenheiro eletricista;
- experiência em projetos de eficiência energética ou instalação de luminárias LED em iluminação pública;
- CAT ou documento equivalente;
- profissional com certificação CMVP, CMVP-IT ou equivalente aceito pela COPEL para Medição e Verificação;
- equipe, veículos, ferramentas, instrumentos de medição, EPIs e EPCs;
- capacidade de realizar o descarte ambientalmente adequado dos materiais retirados.
Portanto, uma empresa que simplesmente vende luminárias não necessariamente consegue entrar sozinha.
Mas pode existir espaço para formar uma estrutura em conjunto.
Aqui começa a ficar interessante para empresas menores
O edital admite consórcio.
Isso abre uma possibilidade interessante para o mercado regional.
Imagine uma composição formada por:
empresa de engenharia + especialista em eficiência energética + instaladora elétrica + fornecedor de luminárias/equipamentos + profissional de M&V.
A estrutura pode reunir competências que uma única empresa pequena talvez não possua.
O próprio edital prevê participação em consórcio e estabelece regras para divisão de atribuições e responsabilidade entre os integrantes.
Para empresas do Sudoeste do Paraná, isso merece atenção.
Quanto dinheiro existe efetivamente no projeto?
Aqui é preciso tomar cuidado para não olhar simplesmente para os R$ 2,15 milhões e concluir que esse será o faturamento ou lucro da empresa.
O próprio edital deixa claro que o valor é um limite máximo de referência e não garante faturamento integral.
Os pagamentos dependem das etapas executadas, medições, documentos, validações e reconhecimento das despesas no âmbito do PEE/COPEL.
A composição máxima apresentada pelo Município é esta:
Diagnóstico Energético — R$ 49.353,75
Materiais e equipamentos — R$ 1.551.873,50
Gestão do projeto — R$ 82.036,90
Instalação/execução — R$ 331.064,60
Marketing — R$ 5.000,00
Treinamento e capacitação — R$ 15.000,00
Descarte de materiais — R$ 20.848,66
Medição e verificação — R$ 13.940,00
Mão de obra própria prevista — R$ 77.501,52
Transporte — R$ 1.000,00
Outros custos indiretos — R$ 2.600,00
TOTAL: R$ 2.150.218,93. EDITAL+(21)
E aqui está a grande diferença:
Dos R$ 2,15 milhões, aproximadamente R$ 1,55 milhão está concentrado em materiais e equipamentos.
Isso significa que o valor bruto do projeto não representa R$ 2,15 milhões de receita livre para a empresa.
Uma parcela enorme será consumida pela aquisição dos equipamentos e pela própria execução.
Onde pode estar o dinheiro de verdade?
Para uma empresa especializada, o interessante é olhar para a estrutura inteira, e não apenas para o valor global.
Existem aproximadamente:
R$ 331 mil para instalação/execução
R$ 82 mil para gestão do projeto
R$ 77,5 mil de mão de obra própria prevista
R$ 13,9 mil para M&V
R$ 20,8 mil para descarte
Além das demais rubricas.
Isso não significa que esses valores sejam automaticamente lucro.
É necessário pagar trabalhadores, encargos, equipamentos, deslocamentos, administração, engenharia, seguros, logística, documentação, tributos e todos os custos necessários para entregar o projeto.
E o edital coloca parte relevante dos riscos sobre a contratada.
O risco é um dos pontos mais importantes do edital
O modelo escolhido por Capanema não é para uma empresa que pretende apenas entregar mercadoria e esperar o pagamento.
Na demanda inicial, a contratada assume um regime de contratação integrada e de risco.
O edital atribui à empresa riscos relacionados a planejamento, produtividade, aquisição, preços, logística, mobilização, instalação, medição e verificação, descarte e comprovação documental.
Mais importante:
se houver glosa, rejeição, retrabalho, atraso ou não liberação de recursos por falha atribuível à contratada, o Município não assume automaticamente esse prejuízo com recursos próprio.
É por isso que uma empresa precisa estudar esse edital como um projeto empresarial, e não simplesmente como uma oportunidade de faturamento.
E o prazo?
Depois da Ordem de Serviço, o prazo operacional máximo previsto é de 120 dias corridos.
Nesse período entram projetos, mobilização, fornecimento, instalação, descarte, treinamento, marketing, M&V e documentação atribuíveis à contratada.
O contrato da demanda inicial terá vigência de 12 meses, podendo ser prorrogado nas condições previstas.
Isso significa que a empresa precisa ter capacidade de mobilização relativamente rápida.
A classificação pode decidir quem chega primeiro ao contrato
Aqui está uma das partes mais inteligentes — e mais difíceis — do edital.
A empresa habilitada não precisa necessariamente ser a primeira para conseguir o credenciamento.
A pontuação serve para formar a ordem de convocação.
São até 100 pontos.
E alguns critérios favorecem fortemente empresas que já atuam no setor.
Grupo A — até 20 pontos
Projetos de eficiência energética selecionados em chamadas públicas do PEE da COPEL, representando órgãos públicos.
Grupo B — até 20 pontos
Projetos selecionados em chamadas públicas do PEE/ANEEL de outras distribuidoras.
Grupo C — até 10 pontos
Volume financeiro de projetos de eficiência energética efetivamente executados.
Grupo D — até 4 pontos
Profissionais com certificação CMVP, CMVP-IT ou PMVA.
Grupo E — até 2 pontos
Profissionais com certificação PMP.
Grupo F — até 4 pontos
QualiESCO, ISO 50001 ou certificações equivalentes.
Grupo G — até 40 pontos
E aqui está o verdadeiro diferencial.
A empresa pode ganhar 0,40 ponto para cada ponto obtido em uma proposta apresentada na própria Chamada Pública PEE COPEL 009/2024, desde que consiga comprovar que foi responsável pelo diagnóstico energético ou pela proposta.
Ou seja:
uma empresa que participou tecnicamente da chamada que originou este projeto pode entrar com uma vantagem enorme na classificação.
É um edital que claramente recompensa experiência específica.
Mas existe uma porta para empresas que não têm 100 pontos
Sim.
E isso é importante.
A pontuação não elimina a empresa habilitada.
O edital afirma expressamente que a habilitação credencia o interessado e que a pontuação é usada para formar a ordem de convocação. Não existe nota mínima de credenciamento.
Portanto, uma empresa pode ter pouca pontuação e ainda assim ser credenciada.
O problema é outro:
quanto mais abaixo estiver na fila, maior pode ser a espera para receber uma demanda.
O mercado local já tem empresas que podem fazer parte desse ecossistema
Nossa pesquisa na região encontrou empresas ligadas à engenharia elétrica, instalações e energia.
Em Capanema, por exemplo, aparecem:
Grupo Primosol — atuação identificada como engenharia elétrica.
EDMAN Eletricidade — serviços de instalação elétrica.
M Sol Energia e Engenharia — atuação relacionada a energia e engenharia.
Também aparece em Capanema a Energia Solar Geradores Capanema, ligada ao setor de energia.
Importante: a presença dessas empresas na região não significa que estejam habilitadas ou que cumpram todos os requisitos deste edital. Elas são potenciais integrantes do ecossistema local/regional e precisariam ser avaliadas individualmente quanto a CREA, experiência, capacidade técnica, certificações e demais exigências.
E se faltar fornecedor em Capanema?
É aí que entra o mercado regional.
Em Francisco Beltrão encontramos, por exemplo:
Eletro Beltrão - Materiais Elétricos e Automação Industrial4,8Loja de materiais elétricosEstrela Guia Materiais Elétricos5,0Loja de IluminaçãoMüller Materiais Elétricos4,9Loja de materiais elétricosAlém de empresas de engenharia elétrica como F2S Engenharia | Painéis e Quadros Elétricos | Consultorias | Fotovoltaico | Projetos Elétricos | SPDA e Elettrica Engenharia.
Isso mostra que uma empresa interessada não necessariamente precisa concentrar todas as competências dentro de sua própria estrutura.
O caminho pode ser montar uma cadeia regional de fornecedores e parceiros.
Mas, novamente, a responsabilidade perante o Município continua sendo da contratada, portanto terceirizar uma parte da execução não elimina a necessidade de controlar qualidade, documentação, prazos e conformidade.
E tem um detalhe muito interessante: Capanema já vinha movimentando esse mercado
A pesquisa também encontrou contratações anteriores do próprio Município relacionadas à modernização da iluminação pública.
Em 2025, Capanema publicou contratação para consultoria em engenharia envolvendo projeto de iluminação pública LED, medição e verificação e apoio técnico à fiscalização e supervisão. Prefeitura de Capanema
Além disso, em 2026 houve uma contratação relacionada ao fornecimento e instalação de luminárias LED no Município, com valor global de R$ 3,059 milhões, tendo a Wordmaster Brasil Ltda. como fornecedora. AiLicita
Isso é relevante porque mostra que não estamos diante de uma ideia isolada de modernização.
Existe uma movimentação continuada do Município em torno da eficiência energética e da iluminação pública.
O que uma empresa interessada deveria fazer antes de pedir o credenciamento?
Não é simplesmente baixar o edital e mandar o CNPJ.
Uma empresa deveria montar uma verdadeira pasta de credenciamento.
1. Conferir a habilitação empresarial
Separar:
- contrato social;
- CNPJ;
- certidões;
- FGTS;
- CNDT;
- regularidade estadual e municipal;
- certidão de falência;
- balanços;
- índices financeiros;
- declarações.
O edital exige inclusive demonstrações contábeis e análise dos índices de Liquidez Geral, Solvência Geral e Liquidez Corrente.
2. Resolver a parte técnica
A empresa precisa identificar:
quem será o engenheiro responsável?
Existe CREA compatível?
Existem CATs?
Existem atestados de iluminação pública ou eficiência energética?
Existe profissional com CMVP ou certificação aceita?
Existe equipe para instalação?
Existe capacidade de M&V?
Como será feito o descarte?
E existe uma questão financeira que não pode ser ignorada
O edital exige capacidade econômico-financeira porque a empresa pode precisar comprar materiais, mobilizar equipe e executar etapas antes do reconhecimento e aporte dos recursos.
O próprio documento justifica essa exigência exatamente pela necessidade de aquisição e mobilização antes do reconhecimento das etapas pela COPEL.
Portanto, uma empresa pode até conseguir o contrato, mas precisa perguntar:
Eu tenho caixa para executar o projeto até o dinheiro entrar?
Essa talvez seja uma pergunta mais importante do que:
"Quanto vale o contrato?"
A oportunidade não está somente na empresa que será credenciada
Existe um segundo mercado ao redor desse edital.
Mesmo empresas que não consigam assumir a contratação principal podem encontrar oportunidades como:
fornecedores de luminárias LED
fornecedores de componentes elétricos
instaladores
empresas de logística
profissionais de engenharia
empresas de descarte e destinação
profissionais de M&V
empresas de documentação técnica
empresas de treinamento
fornecedores de equipamentos de medição
empresas de apoio à gestão de projetos.
E isso é particularmente interessante porque o projeto prevê 1.151 substituições de luminárias e mais de R$ 1,55 milhão somente na rubrica de materiais e equipamentos.
Não confunda "R$ 2,15 milhões" com "R$ 2,15 milhões disponíveis para qualquer empresa"
Esse é provavelmente o ponto que merece maior destaque.
O valor global representa o orçamento máximo do projeto aprovado.
O edital é explícito ao afirmar que não existe garantia de faturamento integral e que somente serão pagas parcelas efetivamente atribuídas, executadas, medidas, recebidas, comprovadas e reconhecidas como elegíveis.
Portanto, para calcular se vale a pena participar, uma empresa precisa montar uma planilha própria:
valor da rubrica
menos
custo dos equipamentos
menos
mão de obra
menos
encargos
menos
logística
menos
engenharia
menos
equipamentos e instrumentos
menos
tributos
menos
custos financeiros
menos
risco de glosas/retrabalho
= margem real do projeto.
Só então será possível saber se os R$ 2,15 milhões representam uma grande oportunidade ou um contrato de margem apertada.
Prazo para ficar atento
O edital estabelece como data e horário de corte para a formação da classificação inicial:
20 de outubro de 2026, às 8h30, horário de Brasília.
Mas existe uma característica importante: o credenciamento permanece aberto durante a vigência do edital.
Portanto, quem perder o primeiro ciclo não necessariamente perde a possibilidade de ingressar no cadastro. O edital prevê ciclos posteriores para os novos pedidos. EDITAL+(21)
Onde consultar o edital completo
O documento analisado pelo Credencia Brasil é o Chamamento Público para Credenciamento nº 02/2026, do Município de Capanema/PR.
Ver a oportunidade no Credencia Brasil
Consultar a contratação no PNCP
A página oficial do Município também mantém a área de licitações e chamamentos públicos. Prefeitura de Capanema
Conclusão: para quem essa oportunidade realmente faz sentido?
Este não é um edital particularmente interessante para uma empresa que apenas quer "vender lâmpadas para a Prefeitura".
Ele é muito mais adequado para uma empresa que consiga montar uma operação completa de eficiência energética e iluminação pública.
E há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Quem possui experiência em PEE/COPEL, engenharia elétrica, projetos de iluminação, M&V, equipe de instalação e capacidade financeira pode enxergar uma oportunidade relevante.
Quem não possui tudo isso ainda pode olhar para o projeto por outro ângulo: entrar como parceiro, fornecedor ou integrante de um consórcio.
E talvez esse seja o aspecto mais interessante deste credenciamento.
Os R$ 2,15 milhões são apenas a ponta visível. Por trás deles existe uma cadeia inteira de engenharia, equipamentos, instalação, medição, logística, documentação e serviços especializados.
É justamente nessa cadeia que pequenas e médias empresas regionais podem encontrar espaço — desde que entendam primeiro onde está o dinheiro, quais são os requisitos e, principalmente, quais riscos estão assumindo.
Vídeo complementar, exibido a partir do YouTube.
Antes de participar: o que conferir no edital
- Requisitos para o credenciamento e documentos de habilitação exigidos
- Valores ou tabela de remuneração definidos pelo órgão
- Período para inscrição e vigência do credenciamento
- Critério de distribuição das demandas entre os credenciados
- Onde e como enviar a documentação
Orientação geral do Credencia Brasil para a modalidade, não um dado da oportunidade. Requisitos, documentos e prazos válidos são os do edital oficial, disponível na fonte oficial (PNCP).